
Título: Religião: Ópio do Povo?
Autor: Joaquim Malvar da Fonseca
Editora Diel (http://www.dielnet.com)
ISBN 972-8040-55-5
Recomendo este curto ensaio pela capacidade que o autor tem de discorrer sobre temas actuais como o preconceito perante o outro, sem esquecer de abordar directamente a famosa frase que dá o título ao livro.
E é interessante que após várias explicações se conclua a obra citando Antoine de Saint-Exupéry
"Quando acho uma mulher bonita, não tenho palavras para o exprimir. Vejo-a simplesmente sorrir. Os intelectuais desmontam o rosto para o explicarem, por partes, mas não conseguem ver o sorriso. Conhecer não é desmontar, nem explicar. É chegar à visão. Mas para ver, convém primeiro participar"
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2008-06-26
Religião: Ópio do Povo?
2008-06-16
Multidão de amigos
“Quem se vangloria de ter conquistado uma multidão de amigos nunca teve um” Samuel Taylor Coleridge
As paredes, os móveis, as fotografias rasgadas descansavam mudas iluminadas apenas pelo ecrã do computador, onde mais um site de encontro social tentava convencê-la da importância dos 87 “amigos” e das suas fotografias com sorrisos abertos, frases feitas e cenários de férias.
Mas num instante a porta abriu-se deixando entrar o único que, num olhar profundo, conseguiu romper o silêncio.
Indiana Jones and the Kingdom of the Crystal Skull
E Indiana Jones and the Kingdom of the Crystal Skull cumpre todas as expectativas.
Afirmam os mais críticos que é uma película comercial, pouco realista, de argumento fácil.
Para apreciar esta última criação de Spielberg e Lucas é preciso manter a inocência com que assistimos à trilogia de 81, 86 e 89.
Para mim o melhor do filme são aqueles momentos de humor que só resultam com as excelentes representações de Harrison Ford, Cate Blanchett e de Shia Saide LaBeouf.
Os efeitos visuais (só possíveis com a tecnologia do séc. XXI) servem para criar um contexto, mas o interesse no filme mantém-se mais com aquela dúvida/certeza “será que ele vai sobreviver a esta?”. A cena do frigorífico, por exemplo, é puro Hollywood mas só mesmo o Indy para se safar assim.
Em resumo quem gostou da trilogia clássica tem motivos para não se desiludir (e tem ainda o bónus simpático de referências subtis às aventuras anteriores).
2008-06-10
Per7ume - Intervalo
Per7ume é o novo projecto musical de alguns
ex-membros dos Ornatos Violeta e dos Blunder.
Este primeiro single tem a participação especial de Rui Veloso.
Vida em câmara lenta,
Oito ou oitenta,
Sinto que vou emergir,
Já sei de cor todas as canções de amor,
Para a conquista partir.
Diz que tenho sal,
Não me deixes mal,
Não me deixes…
No livro que eu não li,
No filme que eu não vi,
Na foto onde eu não entrei,
Notícia do jornal
O quadro minimal… Sou eu…
Vida à média rés,
Levanta os pés
Não vás em futebois, apesar…
Do intervalo, que é quando eu falo,
Para não me incomodar.
Diz que tenho sal,
Não me deixes mal,
Não me deixes…
No livro que eu não li,
No filme que eu não vi,
Na foto onde eu não entrei,
Notícia do jornal
O quadro minimal… Sou eu…
Não me deixes já
A história que não terminou
Não me deixes…
No livro que eu não li,
No filme que eu não vi,
Na foto onde eu não entrei,
Notícia do jornal
O quadro minimal… Sou eu…
No livro que eu não li,
No filme que eu não vi,
Na foto onde eu não entrei,
Noticia do jornal
O quadro minimal… Sou eu…
2008-06-08
O Porto merece melhor cinema
Abaixo-assinado a favor da abertura de pólo da
Cinemateca Portuguesa na cidade do Porto
http://www.petitiononline.com/Circuito/petition.html
Mais info em
http://www.circuitocinema.blogspot.com/
e aqui
2008-06-06
Cinza*
“Perder a razão é uma coisa terrível. Antes morrer. A um morto consideramos com respeito, rezamos por ele. A morte fá-lo igual a todos. Enquanto um homem privado da sua razão deixou de ser homem”, Alexander Puschkine
A chuva impiedosa cai sobre a janela do consultório e lá dentro as lágrimas de Maria acompanham o dilúvio.
(e onde estão aqueles lenços de papel quando são precisos?)
Mas o discurso continua “Já não reconheço a minha mãe, dr. Ela tenta bater em todos, nunca sossega, não dorme, não me dá descanso, eu já lhe aumentei as gotas à noite e nada”.
Era aliás esta saída de casa que pesava na consciência da filha, que sozinha não conseguia conciliar o trabalho, os cuidados de enfermagem e os cozinhados para o marido.
(ainda há lenços assim?)
Lá fora as nuvens persistem em largar um tom cinza pela cidade.
Blogosfera
“A calúnia é como uma moeda falsa: muitos que não gostariam de a ter emitido, fazem-na circular sem escrúpulos”, Diane de Poitiers
Na semana passada Rodrigo Guedes Carvalho, Moita Flores, Rogério Alves e José Gameiro debateram na SIC sobre a blogosfera, com particular atenção para os efeitos nefastos da disseminação impune de falsidades em blogs dando como um dos exemplos paradigmáticos a afirmação contra os professores que é erradamente atribuída a Miguel Sousa Tavares e que já percorreu os PC´s do país.
Este debate é recorrente sendo Andrew Keen um dos autores contemporâneos, que teve um maior eco mediático, na sua exposição das fragilidades do mundo digital.
De facto, a difamação e calúnia sempre existiram, mas as novas tecnologias de informação potenciam o dano pela sua rápida distribuição, pelo anonimato frequente de quem escreve ou publica, e pelo facto de muitos internautas acreditarem no que lêm em qualquer site, blog e email.
Por isso defendo que o que é ilegal offline é ilegal na net, e deve ser combatido dentro da rede pelas autoridades competentes.
A presença constante na rede de Pacheco Pereira, Júlio Machado Vaz, Laurinda Alves e Manuel Alegre, destrói o estereótipo de que o blogger é alguém necessariamente com problemas de socialização, sem qualidade de escrita e com muito tempo livre.
É ainda curioso perceber que os blogs raramente são uma total inovação, muitos recomendam as artes dos formatos “clássicos”: as grandes obras de literatura em papel; os filmes na tela de cinema, por exemplo.
A sabedoria (que deve ser ensinada na primária e em família) está em separar bem o trigo do joio, sendo eficaz nas pesquisas e selectivo nas fontes.
2008-05-23
Neve*
“Quando vejo uma criança, ela inspira-me dois sentimentos: ternura, pelo que é, e respeito pelo que pode vir a ser”, Louis Pasteur
“Sufoca-se o espírito da criança com conhecimentos inúteis”, Voltaire
Naquela tarde de Inverno a Dr.ª Carla vislumbrava, pela janela do Centro de Saúde a alvura do manto natalício, deixando-se levar pelas saudades de casa.
Mas aquele instante tranquilo foi prontamente interrompido pelo desenrolar das consultas.
De rompante entrou a sexagenária D.Maria, a sua filha Ana, e o mais recente rebento da família Noronha.
O pequeno João repousava tranquilo, entregue à placidez das suas primeiras semanas de vida, e ignorando a avó que vociferava:
-Então a menina já é médica ?! Tão novinha… E não acha que o Joãozinho está muito magrinho? Não será preciso um suplemento? É que a minha filha não faz nada do que lhe digo…
A interna do Ano Comum optou por responder com um sorriso, e examinou o bebé com ternura, pois aquela tarde de Saúde Infantil era o seu secreto motivo para continuar a acreditar na humanidade.
E depois, a jovem médica entregou-se a um discurso empolgado sobre a vantagem do aleitamento materno, e a importância do crescimento individual tendo como referência as curvas dos percentis.
A mãe concordou timidamente. Já a D. Maria, limitou-se a franzir o sobrolho e à saída, soltou a sentença lapidar: “Temos é de ir àquele Pediatra!”
E a neve voltou a cair, silenciosa, gelando um pouco mais o ímpeto reformista de mais uma seguidora de Hipócrates.
*Este texto é uma ficção. O sigilo médico é plenamente respeitado de acordo com a Ética e Deontologia Médica.
2008-05-19
2008-05-17
Kumba Project e Portugal social?

Em http://www.causassuperiorestmn
Num clique está a divulgar e a ajudar a diminuir as despesas deste projecto.
"O Kumba Project nasceu em Dezembro de 2003 no seio do Secretariado Italiano de Estudantes de Medicina (SISM). O seu objectivo centra-se no envio de estudantes de medicina para Kumba (Camarões) com o intuito de colaborar com os Serviços Sanitários do país, cooperando e intervindo na prática clínica do corpo médico local."
Na minha passagem pelo MedUBI assisti aos primeiros passos daquilo
que muitos julgaram ser uma utopia efémera.
Mas desde o início que a Associação Nacional de Estudantes de Medicina tem elementos activos das sete associações/núcleos e que tornaram uma ideia num projecto real e contínuo.
Na minha opinião dada a crise económica e social anunciada agora pelo governo e media - e sentida há muito pela sociedade civil - os projectos de solidariedade terão de se multiplicar também em território nacional.
Existe uma clara falta de eficácia da classe política na resolução das questões sociais mais prementes (emprego, saúde e educação).
Por vezes parece que o esforço é feito em sentido contrário.
Um exemplo: está ainda por esclarecer a recente notícia de que, alegadamente, algumas
inspecções da ASAE "obrigararam várias instituiçoes a deitar comida fora".
Mas ao invés de se focar na questão do momento, temos uma pseudo-elite a afirmar "eu sou diferente de Sócrates". Como se isso significasse algo.
E grande parte do país alimenta-se, como escreveu Pacheco Pereira no Público de hoje, dos telejornais repletos de irrelevância.
Por isso, apesar da sensação "David versus Golias" quem está um pouco acima na pirâmide sócio-económica, tem o dever de contribuir para a solução, afastando a tibieza típica e abraçando uma cidadania mais activa.
2008-05-12
"Desacordo" Ortográfico
Proposta ao leitor: assinar o abaixo assinado contra o Acordo Ortográfico, para que os interesses políticos e económicos não vençam o bom senso.
Sublinhe-se que não se trata de defender uma visão europeia da ortografia.
A riqueza da língua de Pessoa, Drummond e Mia Couto está, precisamente, na sua diversidade.


